Saiba o que fazer para entrar em mestrados e doutorados com excelência
É muito importante saber o que você vai precisar para uma seleção em programas de pesquisa. Sem esses recursos você terá dificuldades em obter uma bolsa de estudos ou mesmo garantir a sua vaga, por se tratar de uma atividade costumeiramente muito disputada nas universidades, tanto brasileiras quanto internacionais.
Os pontos abaixo descrevem os 5 itens que o candidato deve estar preparado, conforme os editais de seus devidos programas de pesquisa. Observamos então:
1. Obter o aceite de um orientador para pós-graduação:

Antes de qualquer coisa, o candidato deve entrar em contato com o orientador de seu programa de pós-graduação. Esse passo torna-se muito importante para tanto o aluno quanto o orientador se conhecerem e determinarem a intensidade do trabalho de ambos. Para o orientador é a oportunidade de ter um aluno que leve sua pesquisa adiante, aumentando os pontos para o seu programa de mestrado ou doutorado com o material produzido durante o processo de orientação; para o aluno é a oportunidade de ter uma pesquisa em desenvolvimento e obter o grau de mestre ou doutor.
Pode acontecer também, pela parte do orientador, ter interesse sobre as intenções do aluno, mas não ter vagas conforme os limites determinados pela CAPES. Nesse caso, a entrevista auxilia o aluno a dirigir-se para outro professor interessado em orientá-lo. Esse fato não deve desanimar o aluno, pois, é muito corriqueira essa troca, sendo benéfica quando se encontra a sinergia necessária para o trabalho acontecer com as devidas contribuições do orientador. Por vezes o orientador pretendido pode assumir o lugar de co-orientador ou mesmo de banca, cuja ajuda também pode ser viável.
2. Entrega do projeto de pesquisa
É costume dos programas de pós-graduação a entrega de um projeto ou esboço de projeto de pesquisa. Esse elemento também corrobora a necessidade do orientador já pré-definido anteriormente. O futuro orientador já irá indicar a forma de escrever o projeto: o que deve constar nele? Quais autores devem ser citados? Qual melhor maneira de citá-los? Qual metodologia é mais adequada? Se deve utilizar o banco de dados do grupo de pesquisa ou qual banco de dados utilizar? Qual o cronograma da pesquisa? Qual o orçamento do projeto? Quais as referências devem ser citadas? Essas questões estão entorno a forma na qual o orientador poderá confiar parte de sua pesquisa ao futuro orientando.
A entrega desse projeto também ajuda as definições relacionadas às previsões com gastos ulteriores e a necessidade de pedir auxílio financeiro a CAPES, CNPq ou outras agências de fomento à pesquisa. Também podemos enxergar no projeto vislumbres de diferentes campos de pesquisa, os quais muitas vezes interagem entre si e podem ser vistos como braços estendidos de um guarda-chuva maior de pesquisa do orientador. Essa visão também já ajuda o próprio estudante a assumir uma postura diante de sua pesquisa.
3. Montagem do currículo Lattes para pós-graduação
O Currículo Lattes (https://lattes.cnpq.br/) é a plataforma que reúne todos os pesquisadores devidamente credenciados nas instituições brasileiras de pesquisa. Por se tratar de um currículo voltado para pesquisadores, ele pode ser muito extenso e detalhado, conforme a necessidade e prioridade do aluno. Ele pede um texto inicial com as formações do aluno (graduação e pós-graduações) e suas escolhas e interesses de pesquisa (áreas de estudo). Em seguida, o aluno completa no campo “Atuação profissional” as experiências de trabalho anteriores ou as quais ele já está dedicado. Em seguida, no campo “Projetos”, o aluno pode, preferencialmente, adicionar uma breve descrição de sua pesquisa ou a pesquisa em que está como participante junto ao seu orientador.
Por fim, no campo “Produções” ele pode colocar suas produções escritas (artigos, livros, capítulos, resumos, textos em jornais e revistas, traduções) e as apresentações de trabalho que ele tenha. É importante ressaltar que a produção de artigos científicos é a mais valorizada e costuma ser critério para reconhecimento da banca de interesse do aluno pela pesquisa. Há também um campo para desenvolvimento de patentes, trilhas sonoras, redes sociais e sites que não deve ser esquecido, quando o aluno possui tais produções áudio-visuais.
Contudo, essas produções não são a prioridade inicial da formação do currículo Lattes, uma vez que não são prioridades na maioria dos programas de pesquisa regulados pela CAPES. O currículo Lattes precisa ser constantemente atualizado com as produções intelectuais do aluno, lembrando que ele deve guardar os comprovantes de cada uma de suas produções afim da observância dos programas de pesquisa.
4. Prova escrita ou oral
É costume de muitos programas de mestrado e doutorado exigirem uma prova escrita ou oral. Para a realização dessa prova os programas também colocam nos editais uma lista com o material bibliográfico a ser estudado antes da realização da prova. Costumam ser solicitadas de três a cinco questões dissertativas, mas há programas que pedem questões de múltipla escolha. A prova visa não apenas uma somatória de pontos, mas também compreender como o aluno procede na integração de conhecimentos específicos da área em que deseja ingressar.
Não é exigido do aluno citações literais, mas a forma na qual ele coloca os autores e os organiza na prova indica sua fluência nos temas. Hoje em dia as provas estão sendo substituídas pelo projeto de pesquisa com a anuência do orientador. Também há casos em que ao invés da prova seja pedida uma carta de recomendação (geralmente escrita pelo possível orientador) ou mesmo uma carta motivacional (na qual deve constar as intenções do aluno com sua pesquisa). Não devemos esquecer que em paralelo com a prova específica de cada programa de pesquisa, temos as provas de língua estrangeira.
É solicitada proficiência de uma língua estrangeira para mestrados e duas línguas estrangeiras para doutorados. As provas consistem em interpretação de textos na língua escolhida (costumeiramente espanhol, inglês, francês, alemão e italiano) e podem ser escritas em língua portuguesa na maioria das universidades aplicantes.
5. Entrevista com a banca avaliadora
Esta é a última etapa avaliativa. São entregues cópias do projeto para a banca avaliadora (o número de cópias consta no edital) no dia da entrega de todos os documentos e a homologação de sua inscrição. A banca avaliadora é formada com perguntas que os professores (outros orientadores do programa de pesquisa) realizam ao aluno e seu projeto. O pretende deve se atentar ao “como” uma vez que a maioria dos projetos precisa ser realizada de uma determinada forma e se a forma escolhida pelo aluno é viável para o tempo que ele o aplicará (dois anos para mestrado, quatro anos para doutorado).
Por essa razão é aconselhável que o aluno possa estar ciente do que ele irá entregar com o projeto e possa responder dúvidas decorrentes do seu método de trabalho (quesito esse o qual costuma ser o mais indagado pela banca avaliadora). A banca avaliadora também tem o caráter de dar sugestões sobre o trabalho do candidato, sendo indicado que o candidato leve uma cópia do projeto consigo para poder olhar atento aos questionamentos.
Nos foi possível observar as muitas etapas do processo de aprovação para um programa de pós-graduação. A importância de uma orientação especializada para esse tipo de entrega é iminente quando se trata de uma aprovação com excelência a fim de pleitear uma bolsa de estudos, seja ela parcial (não paga para realizar o curso) ou integral (não para e ainda ganha para o benefício de sua pesquisa).
A relação com o orientador é crucial e não pode ser feita de modo a trazer surpresa para aquele que pretende realizar o edital, mas deve ser preparada com no mínimo seis meses e no máximo três meses de antecedência para haver tempo para a entrega de projeto com a anuência supervisionada do futuro orientador. Todos os elementos de nossa consultoria incluem o auxílio nessas áreas.
Referências:
Uma metodologia de design centrado no usuário – Giselle Schmidt Alves Díaz Merino
Manual de orientações para projetos de pesquisa – Dalva Inês de Souza, Deise Margô Müller, Maria Angélica Thiele Fracassi, Solange Bianco Borges Romeiro
Autor: Estevan Ketzer