O bom aproveitamento do material estudado nos nossos estudos dirigidos irá nos levar a uma melhora na qualidade de vida em todos os aspectos. Nosso texto propõe um resultado seguro e benéfico para seus estudos.
Devemos atentar para os seguintes tópicos: 1) leitura, 2) interpretação, 3) escrita e 4) memorização.

1. A leitura guiada para estudos dirigidos com qualidade
A leitura é um contato que fazemos com um texto. Quando lemos não apenas entendemos os elementos internos ao texto como acabamos impreterivelmente a utilizar o material que já aprendemos cognitivamente de modo a encontrar algum tipo de referencial para dele acrescentar ao entendimento anterior. Essa ação permite às primeiras apreensões com o texto e precisa de constar em nossos estudos dirigidos com relevância.
O texto, no seu conjunto de relações, não é estático como muitos pensam. Seu caráter de “tessitura” (emaranhados de ideias as quais despertam pensamentos e sentimentos variados) propõe ser uma rede para organizarmos a aprendizagem.
1 – Por esta razão, ler um texto é examinar as ideias nele contidas;
2 – Conhecer o autor do texto, de onde ele fala, por que utiliza certas noções em detrimento de outras (o que muitas vezes pode parecer um lapso do autor, pode ser justamente a falta de conhecimento consubstancial que o autor está tratando do tema escolhido);
3 – O vocabulário envolvido nesse texto e mesmo a perspectiva na qual ele acredita ser a real e última (a mais importante) dentre as muitas possíveis para sua argumentação;
4 – Por fim, aumentar nossa inteligência (do latim inteligere ens, ou seja, “ler o ser por dentro das coisas”).
Portanto, aqui o nosso julgamento acerca do texto lido é muito importante, pois podemos ser tão criteriosos quanto o autor para julgar um assunto se conhecermos bem sua argumentação e tivermos alguma afinidade com o tema escolhido. Em termos técnicos, a habilidade para ler se compara a assinalar o que precisa ser lido mais vezes devido a certo teor de dificuldade conceitual.
Citamos como exemplo, o estudo da hermenêutica jurídica, o qual necessariamente precisa de estar acompanhado do exercício prático do direito. Essa combinação visa a que tanto a interpretação quanto o exercício fático da lei melhorem o instrumento jurídico encontrado na realidade em que atuam.
Nesse ponto, se torna relevante obter um professor com excelência reconhecida na área. Um professor que entenda dessa ligação, pois ele é capaz de olhar com tempo suficiente para se dedicar aos problemas da condução do método hermenêutico (isso obriga o professor a olhar a realidade e não a reduzir os pressupostos teóricos de sua preferência) e nele encontrar soluções.
Esse olhar atento do professor quando diante aos estudos dirigidos também deve demonstrar suas habilidades como supervisor do aluno. A característica do supervisor que mencionamos aqui é a de ser um treinador, a estimular certas hipóteses que devem ser esbatidas com a prática do aluno. Por essa razão um professor nesse nível é difícil de encontrar, pois ele deve ter internalizado (tal como é característica própria da leitura) o conhecimento do texto com o conhecimento da realidade, a reconhecer as nuances próprias de cada situação.
2. A interpretação guiada para estudos dirigidos com qualidade
A investigação realizada por uma leitura ostensiva nos leva impreterivelmente ao aspecto da interpretação dos elementos contidos no texto. Uma vez que compreendemos a gramática de sua composição frasal e já adquirimos estofo com os significados por tempo suficiente, a exigência interpretativa surge como próximo passo para pensarmos.
Todo o aluno dedicado aos estudos dirigidos em determinado tema deve considerar certos aspectos como preponderantes para o bom resultado de sua aprendizagem.
Uma questão aparece ao nosso horizonte: como se deve interpretar um texto?
O exemplo a seguir aborda uma pergunta muito simples, porém, repleta de interesse quando diante aos estudos:
“Quais são os principais motivos para sentirmos dores nos olhos após muitas horas de leitura?”
O primeiro passo é trazer para o nível de nossa proximidade: como usualmente entendemos aquela situação? A resposta deve ser a mais concisa possível para que possamos chegar a questão: qual é o modo habitual de lidarmos com ela?
“Certamente se trata de um esforço o ato de leitura por tempo demasiado.”
Uma vez que respondemos resumidamente essas duas questões, passaremos ao próximo nível: como podemos lidar com nossos olhos de maneira a reduzirmos essas dores? A literatura especializada nos indica uma quantidade de exercícios que visam o fortalecimento dos músculos oculares, chamada de ortóptica.
Portanto: “Os músculos oculares cansam se não forem fortalecidos em certos períodos de tempo.”
Por certo a interpretação aqui não é apenas uma alternativa de resposta como também visa a beneficiar pelo estudo da oftalmologia aquele que possa ter problemas musculares como esse. Portanto, a interpretação deve ter em seu bojo um benefício que expresse algo além da curiosidade pela curiosidade, lugar em que se tornam artificiosas as tentativas de definir objetos que nossa razão não compreende ou não tem condições de compreender sem experimentações eficazes.
A figura do professor/treinador mais uma vez torna-se indispensável aos elementos interpretativos dos estudos dirigidos. Ele deve beneficiar a dúvida não com uma resposta rápida que atenda a esse interesse preliminar do aluno sem que ele exerça seu pensamento a respeito do tema.
A realidade como um todo deve ser aperfeiçoada na explicação do professor a qual deve ser, mesmo que assintótica para “sim” ou “não”. Quando demonstrada de maneira a corrigir as hipóteses incoerentes e as fragilidades argumentativas decorrentes das tentativas anteriores, a resposta do professor esclarece, investiga e interpreta a coisa dentro do seu próprio horizonte de elocubração.
Era assim chamada a sabedoria prática de prudência (phronesis). Ser prudente é também ser moderado com relação ao conhecimento, não se deixando levar pela sua parcialidade, porém, exigindo também dos interlocutores plena atenção. Tais motivos aqui expressos devem levar a uma maior identificação do aluno com o professor, pois assim se dará uma melhor aderência de seus reais interesses, por afinidade, não por ostentação ou imitação, os quais identificamos como falsos interesses para a boa realização do estudo.
3. A escrita guiada para estudos dirigidos com qualidade
Vamos pensar a escrita como um instrumento para melhorar a nossa aprendizagem e aumentar o foco na disciplina envolvida. É muito importante que o professor peça a seus alunos que desenvolvam um pequeno excerto escrito de seus estudos dirigidos. Tal como vemos em formulações matemáticas, com símbolos de letras indicando relações entre quantidades hipotéticas, a escrita é uma maneira muito boa de associar elementos da leitura e da interpretação de forma a aumentar a percepção sobre uma ideia e sua boa expressão.
Na grande maioria das vezes não basta apenas ler um autor ou um conjunto de autores acerca de um determinado tema. Essa tarefa apenas nos torna conhecedores dos horizontes desses autores e de como eles encontraram alternativas para algo que estava latente em suas mentes e foi transposto para a escrita em livros ou artigos científicos, algo realizado muito depois de suas ideias iniciais. Um bom professor deve pedir a seus alunos que mostrem suas notas acerca dessas ideias afim de que o professor também os ajude a identificarem como estão entendendo o tema investigado.
Conforme o tema é mais antigo e com menos intérpretes ele também sugere uma investigação muito maior de outros aspectos que estão ao redor do contexto de emissão desse texto. Peguemos algo como história da antiguidade grega. Não podemos simplesmente interpretar a tradução de termos gregos para nossa língua sem antes entendermos o funcionamento de como os gregos utilizavam o conhecimento como algo muito mais prático e cotidiano do que nós hoje o fazemos.
O conhecimento é objetivo por uma necessidade de encontro com a verdade, embora também dependa de todos que estão disponíveis para sua investigação. Na antiguidade clássica grega o ideal de excelência (areté) dirigia os estudos dirigidos do aluno.
Um professor deve olhar para esses aspectos e pensar com seu aluno: o que você entende que seja a excelência ? Aí, nesse ponto, o aluno deve montar seu entendimento próprio sobre essa ideia:
o que é para mim ser excelente em algo?
Feito isso, ele criará uma imagem mental profunda que o ligue às diferentes ideias presentes com a ideia de excelência, pois comparará a si mesmo e aos seus pares se eles são ou não excelentes em suas vidas. Nesse aspecto, a interpretação torna-se uma forma de demonstração do aprendizado. Aqui também o professor compreende melhor o exercício fundamental do centro de onde o aluno pensa e elicia sua resposta. Também nesse ponto o professor indicará novas leituras e pode fazer um apontamento sobre o estilo do aluno.
O estilo é um elemento essencial para a maioria dos pensadores, sendo por vezes vislumbrado como mais tardio na educação de um aluno. Contudo, o estilo pode ser identificado desde o começo da aprendizagem, o qual deve também permitir a expressão das ideias do aluno com liberdade e sobriedade, pois elucida em que lugar no panteão da cultura o aluno se encontra e qual é o lugar que ele deve fazer parte em seus estudos dirigidos.
4. A memorização guiada para estudos dirigidos com qualidade
Outro elemento importante diz respeito a repercussão do conhecimento em nossa vida. Como lidar com o que ficou e o que deve permanecer em nossas mentes? Para tanto, a memória precisa de uma notação adequada para que o estudo possa ser mantido com afinco. A memória não pode ser utilizada para aquilo que não tenha sentido prático para a pessoa em seus estudos dirigidos.
A boa disciplina que retém em nossa memória as coisas que pensamos ou realmente são importantes, também nos revela qual deve ser a nossa construção particular para retê-la. Devemos anotar a passagem e formar uma versão menor que se afigura na principal ideia? Formar uma frase que encadeia três outras frases maiores? Nas duas situações a clareza da síntese é de extrema importância para o bom resultado para os estudos dirigidos do aluno.
Outra questão que infelizmente está em desuso hoje em dia é a firmeza da repetição. É por imitar a ordem primeira da série de constâncias que a mente atinge para seu próprio benefício os sinais de que o material está retido em segurança quando sua importância se torna vital para a boa consciência vicejar. Esses usos se mostram de real importância para todo aquele que deseja grandes resultados pessoais com os estudos dirigidos.
Embora a repetição seja um esforço muito grande, pode muitas vezes trazer poucos resultados se não houver marcas sutis de recordações dos passos daquele que deseja memorizar diante aos seus estudos dirigidos. Quais passos são importantes para se reter o esforço? Talvez uma entonação como vemos no poema abaixo:
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
Nesse poema de Fernando Pessoa, intitulado “Autopsicografia”, temos os famosos versos metrificados como ABAB (rimas com o final “dor” “ente” “dor” ente). A sonorização é tanto rítmica quanto musical. Essa maneira é tão característica do poema clássico a ponto de decorarmos com poucas leituras se assim o quisermos aos nossos estudos dirigidos. Tanto ritmo quanto musicalidade são marcadores textuais, os quais já se encontram na tradição oral passada por tantos séculos pelas culturas e podem ser hoje reproduzidas literalmente nos textos.
Essa não é apenas uma qualidade do texto poético, mas é também encontrada nos textos de sabedoria antiga como a Bíblia e o Al Corão. Tais textos precisavam de uma continuidade por aqueles que os liam. Isso mostra o quanto os estudos dirigidos sempre foram indispensáveis para a manutenção de grandes tradições de conhecimento. Essas tradições precisavam das histórias contidas em seus textos para se perpetuarem. Elas o faziam pela via oral, inicialmente, a qual depois foi passada para o papel, pois já havia a preocupação de que os esquecimentos iriam macular o conteúdo daquelas histórias.
Na memória estava também a continuidade das tradições e essa importância por si só já era motivo para que os povos do passado assim decorassem tantos versos. Os estudos dirigidos se beneficiam desses elementos, pois neles encontramos a manutenção das histórias que dizem respeito a nós mesmos. Portanto, seu caráter também está relacionado a ser uma forma de aperfeiçoamento do nosso estudo sobre como encontrarmos nosso eixo interno de conexão com o conhecimento diante aos estudos dirigidos.
Hoje em dia, nossa preocupação é menos em sermos fiéis a uma tradição e mais sermos capazes de assimilar um texto para expô-lo em determinada situação. Por essa razão, continuamos a ver as marcas de coerência nos textos como determinantes para sua perpetuidade, uma vez que nos dedicamos a sua contínua assimilação.
A pergunta fundamental deve ser realizada: afinal o que essa passagem me leva a querer memoriza-la?
Ela pode ser importante pelos mais diferentes motivos, mas se dedico uma quantidade de tempo a ela é fundamental que sua relevância se aproxime da minha vida e traga alguma riqueza em sua elaboração. A noção de que o conhecimento deve ser algo bom e saudável deve acompanhar a todo aquele que deseja adquirir bom proveito com seu caráter dos estudos dirigidos. O bom professor também observará técnicas para a boa memorização e melhor aproveitamento das passagens escolhidas.
Com muito gosto apresentamos a todo aquele que se interessa por um estudo dirigido com qualidades a serem desenvolvidas para um bom aproveitamento da vida intelectual. Essas qualidades devem ser como reflexões e exercícios diários, cujo escopo eleva também toda a percepção do aluno com a anuência de um bom professor.
Todos os estudos dirigidos adequados para o consumo devem estar repletos de bons princípios para sua devida assimilação e posterior transmissão. O ato de transmitir um conhecimento também torna esse conhecimento mais palpável para seu mediador, ou seja, o professor em sua tarefa de ensinar pelo bom exemplo. Tais qualidades devem ser lembradas por todo aquele que considera importante o aprendizado como um legado para a sua vida e dos seus pares quando relacionado aos estudos dirigidos.
Referências:
ARISTÓTELES. Retórica. Trad. Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2011.
PESSOA, Fernando. Autopsicografia.
SERTILLANGES, Antonin-Dalmace. A vida intelectual. Tradução de Roberto Mallet. Campinas: Kírion, 2019.
VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. Tradução de Isis Borges da Fonseca. Rio de Janeiro: Difel, 2011.
Autor: Estevan Ketzer