Forma e conteúdo aliados à identificação de capacidades individuais de escrita
Hoje abordaremos alguns aspectos importantes da construção do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Um TCC pode ser entregue em alguns formatos específicos:

1 – Artigo científico para seu TCC
Entre 10 e 20 páginas. Ele pode ser feito nas regras da ABNT ou nas regras de alguma revista específica. Apesar de ser mais curto precisa ser muito concisa e objetiva a elaboração da sua ideia na forma escrita. Costuma vir acompanhado de 4 seções formalmente estabelecidas:
Introdução – a qual contém o objeto, objetivos, justificativa e suas questões; Metodologia – com a escolha para extrair conhecimento científico do seu objeto de trabalho; Discussão dos resultados – em que são esbatidas outros resultados de pesquisas semelhantes ou debatidos elementos que corroboram ou criticam uma determinada teoria; e Conclusão: em que se procura demonstrar para onde o estudo aponta suas consequências. Por ter uma maior difusão no meio acadêmico para divulgação de estudos e pesquisas, o artigo tem sido cada vez mais demandado como produto final dos mais variados cursos, sejam eles de graduação quanto de pós-graduação.
2 – Monografia:
Formato que depende de quantas páginas o orientador ou o colegiado acharem necessário. O formato de monografia é o mais tradicional e ainda é muito demandado em instituições renomadas.
Ele possui os mesmos elementos do artigo científico (Introdução, Metodologia, Discussão dos resultados e Conclusão), mas por ter tamanho estendido em relação ao artigo, aconselha-se um consequente desenvolvimento maior, fato esse que permite ao seu escritor mais espaço para o debate. Em ciências humanas se costuma dar um espaço maior para a discussão teórica; em ciências da saúde se ampliam as conjecturas a partir dos dados quantitativos observados. A possibilidade de trabalhar a metodologia é mais exigida, uma vez que o aluno possui mais espaço para discorrer sobre sua performance, inclusive debatendo alternativas desconsideradas.
3 – Estudo de caso:
Formato varia de acordo com orientador e colegiado, mas costuma ter entre 15 e 50 páginas. O estudo de caso tem sido menos exigido em comparação os dois outros produtos acima, pois há exigências como comitês de ética pelas diferentes academias (ainda que se é visto junto ao orientador que o trabalho não fere a ética dos envolvidos, seja na coleta, ou seja, na exposição, o comitê de ética pode ser substituído pelo aval do orientador se assim ele achar necessário).
O estudo de caso costuma vir acompanhado dos mesmos elementos das produções acima, sendo por vezes aconselhado dar espaço a discussão teórica quando esta se faz necessária para dar clareza ao método utilizado. Por ser inviável aferir universalidade metodológica em um único estudo ele tem sido preterido por muitas academias. Contudo, justamente por ser um exemplo de como uma certa metodologia pode ser aplicada e trazer um resultado específico de cunho por vezes qualitativo ele é considerado uma boa exposição da atuação de um profissional dentro da sua área de trabalho.
4 – Ensaio:
Também é uma produção na qual o número de páginas dependerá do colegiado e da anuência do orientador. Costuma ter entre 15 e 50 páginas. O ensaio costuma ser caracterizado como um debate entre uma experiência encontrada na realidade e um estilo literário utilizado por seu autor. Diferentemente das outras produções o ensaio pode assumir explicitamente elementos literários com os princípios da liberdade (na criação), objetividade (o que se pretende escrever) e funcionalidade (a forma estética buscada). O ensaio abole as seções textuais encontradas nas outras produções, por dar ênfase ao estilo livre de escrita. Por assumir um estilo muito rebuscado não é sugerido aos estudantes que ainda não tenham desenvoltura com a especificidade de sua escrita.
Nas quatro formas aqui mostradas é importante termos em mira começarmos por um tema que o aluno se sinta à vontade em tratar. Não é necessário ter grande fluência nos temas, mas é importante demonstrar a utilização de uma teoria ou metodologia específica. É justamente ao realizar essa conversa da teoria com a realidade que é possível entendê-la melhor ou enriquecê-la podemos providenciar com o conhecimento. A isso chamamos ciência.
Referências:
Introdução à pesquisa qualitativa – Uwe Flick
Como fazer uma monografia – Délcio Vieira Salomon
Autor: Estevan Ketzer