
Introdução
Você já parou para pensar quantas coisas precisa desenvolver para elaborar uma boa pesquisa científica? Precisar aprender certas técnicas específicas, métodos, teorias, desenvolver relatórios, instrumentos de medicação, fazer perguntas, gravar entrevistas… E ainda escrever tudo isso na forma de um TCC, monografia, artigos. Ser um autodidata pode lhe ajudar a ter excelentes resultados.
Hoje falaremos um pouco sobre esse exercício do autodidata e como ele pode ajudar a você realizar uma pesquisa com extrema qualidade. São pequenas dicas que iremos propor, as quais devem ser muito relevantes junto com às qualidades que o próprio aluno já adquiriu. Também daremos ênfase a certos aspectos da motivação do aluno para a produção de uma investigação científica com qualidade.
Ser autodidata exige autonomia por parte do aluno. E muito dessa autonomia pode ser usada para produzir uma pesquisa realmente rica em termos de achados e de pensamentos para o meio acadêmico. Hoje falaremos de três elementos muito importantes do autodidata que podem ser usados na pesquisa científica: 1) o conhecimento em línguas estrangeiras; 2) o uso da netnografia; 3) o uso da escrita.
1 – O conhecimento em línguas estrangeiras para o autodidata
Muitas vezes já possuímos qualidades importantes para serem utilizadas em pesquisa. Reforço isso para que o aluno se lembre de olhar para seus conhecimentos objetivos e possa ver o quanto eles pesam no seu currículo, não por serem apenas mais certificados, mas para serem de fato importantes para um desempenho respeitável em termos de pesquisa.
Uma das qualidades que vemos em muitos acadêmicos ou aspirantes a mestrados e doutorados é a habilidade em uma língua estrangeira. Essa habilidade é mais comumente adquirida quando mais jovens quando as famílias valorizam essa importância, mas também é muito forte durante a faculdade, pois não raras as vezes os alunos precisam de cursos de línguas para completarem suas horas complementarem e decidem, assim, fazer disciplinas de línguas estrangeiras.
O autodidata terá de praticar a língua de um jeito ou de outro. Sua prática pode ser melhor na leitura do que na conversação (atividade de falar e escutar o que o outro colega desenvolve). Costuma ser mais difícil falar a língua do que a ler. A atividade de ler em uma língua estrangeira depende em grande parte do aluno conhecer as regras básicas de sua composição, conhecendo inicialmente os principais verbos e seus tempos (presente, passado e futuro).
Esse conhecimento básico precisa forçosamente ser complementado com maior vocabulário de uma língua. A melhor maneira de adquiri-lo é com leitura e ter a mão um bom dicionário (eu gosto muito do Oxford tanto o bilíngue quanto o monolíngue para a língua inglesa). O melhor jeito de ler com mais leveza é ler o mesmo livro duas vezes, uma na sua língua própria língua e a outra versão na língua que se deseja aprender. Essa é uma boa forma de um autodidata proceder.
Também é possível ler notícias na outra língua. Autodidatas leem muito. Isso ajuda a ter um vocabulário mais limitado, mas mais preciso quanto a temporalidade das ações narradas. Muitas pessoas assinam revistas da língua estrangeira, ou decidem procurar vídeos sobre os locais onde essas línguas são faladas.
Conhecer a gastronomia do lugar e os termos que são usados também é uma forma muito boa de ler na língua estrangeira. Afinal, comer é um exercício muito autodidata! Enfim, toda e qualquer forma de texto é uma oportunidade para desenvolver a leitura. Temos hoje na internet tradutores online como o Google Tradutor que são bons para nos ajudarem com construções frasais que podemos achar difíceis (principalmente com línguas que possuem menos fonemas do que o português os enganos são mais comuns).
A possibilidade de ler em outra língua já nos auxilia a entender como o mesmo assunto em nossa língua é tratado por pesquisadores daquela localidade. Ser auditata é estar alerta para as diferentes camadas de leitura, tanto na sua língua quanto em outra lingua. Isso pode nos levar a uma série de estudos que versam sobre linguística, literatura, antropologia, história, geografia, geopolítica, economia, os quais podemos com muito cuidado colocar no guarda-chuva do comparativismo. Muitas vezes um estudo de um autor de outra língua nos possibilita um enorme cabedal de conhecimentos decorrentes de uma escola mais tradicional.
Um autodidata se mantém sempre disposta a prender.
Há três grandes escolas de conhecimento no mundo: 1) inglesa; 2) francesa; e 3) alemã.
Essas três escolas possuem características específicas na forma de lidarem com o conhecimento. Os ingleses são conhecidos por serem mais empiricistas, pela escola advinda de Francis Bacon e David Hume; os francesas por serem mais racionais, pelo trabalho de Renè Descartes; e os alemães detiveram-se mais na elaboração de um método que englobasse as duas escolas anteriores com o trabalho de Immanuel Kant, desenvolvendo o método científico tal como o conhecemos.
Hoje em dia a maior incidência de trabalhos acadêmicos é escrito em língua inglesa. Portanto, se você conhece o inglês está habilitado a ler os mais importantes trabalhos do mundo em todas as diferentes áreas de conhecimento. O bom autodidata reconhece essas diferentes estratificações e as vê como altamente interessantes para o seu trabalho.
A habilidade de ler em outro idioma também permite pensar em outro idioma quando bem utilizada. Isso por si só já nos dá uma perspectiva diferente sobre determinado tema (por exemplo, verbo ser/estar é o mesmo em inglês ou o fato de não haver ser/estar na língua hebraica).
Esses elementos podem ser parte integrante do nosso trabalho na busca de perguntas sobre o que estamos querendo conhecer. Às vezes a própria tentativa de tradução já é um trabalho em si (como traduzir os diferentes acentos sonoros do mandarim de uma maneira clara em nossa língua?).
Um autodidata pensa sobre essas coisas e reage a partir de sua experiência de campo.
2 – O uso netnografia pelo autodidata
Hoje temos não apenas um mundo social como um mundo social digital. A internet parece que tornou todos meio autodidatas em tudo! Há centenas de milhões de pessoas interagindo por meio das muitas comunidades online e suas ciberculturas associadas.
A pesquisa na internet sobre o comportamento das pessoas, a netnografia, se exige a criação de métodos de pesquisa específicos. De fato, foram criadas muitas metodologias para a realização das mais diversas netnografias, ou seja, uma forma de pesquisa etnográfica adaptada para incluir a influência da internet nos mundos sociais contemporâneos. O autodidata deve olhar com respeito para a internet e seus fenômenos.
Podemos proveitosamente analisar a definição de Howard Rheingold sobre como as comunidades virtuais agregam as discussões públicas por muito tempo e com suficiente sentimento humano, a ponto de formarem redes de relacionamentos pessoais no espaço virtual. Vários aspectos dessa definição podem ser desenvolvidos para fazermos netnografia, segundo Kozinets (2014), encontramos vários elementos importantes para um autodidata pensar:
1 – Agregações sociais: O uso desse termo deixa claro que a netnografia não é uma abordagem individualista que analisa a publicação pessoal de mensagens na internet, ou seu agregado. O tópico focal da netnografia é coletivo. A netnografia analisa agrupamentos, reuniões ou coleções de pessoas. Seu nível de análise é, portanto, o que os sociólogos chamariam de nível meso: não o micro dos indivíduos, nem o macro de sistemas sociais inteiros, mas o grupo intermediário menor.
2 – Emergem da rede: Como implica o nome, a netnografia analisa as interações que resultam das conexões na internet ou por meio de comunicações mediadas por computador ou celulares como uma fonte focal de dados.
3 – Discussões e comunicações: O elemento de comunicação é necessário à netnografia. Cada vez mais, contudo, estamos vendo comunidades compostas de pessoas que se comunicam usando informações de áudio (listas de execução do iTunes talvez, ou, com mais certeza, podcasts), informação visual (Flickr), ou informação audiovisual (YouTube) e mesmo de inteligência artificial (o que por si só já é um tópico específico, o qual iremos abordar em textos ulteriores). A comunicação é a troca de símbolos significativos. Todos os tipos de sistemas simbólicos humanos estão sendo digitalizados e compartilhados por meio das redes de informação e hoje podem ser utilizados e comparados com auxílio de inteligências artificiais.
4 – Número suficiente de pessoas: Isso significa que algum número mínimo de pessoas deve estar envolvida para que um grupo online pareça uma comunidade. Podemos presumir que esse número situe-se em torno de 20 pessoas no mínimo. Também pode haver um número máximo para eficiência da comunicação, com frequência tido entre 150 e 200 pessoas. Algumas comunidades online evidentemente são muito maiores do que isso, haja visto o Facebook e o Instagram.
5 – Discussões públicas: Isso significa que a acessibilidade é importante para a formação de comunidades eletrônicas e para a conduta da netnografia. A maioria das discussões netnográficas não é fechada, mas aberta.
6 – Por tempo suficiente: A preocupação com a quantidade de tempo significa que a netnografia analisa as comunidades eletrônicas enquanto relacionamentos contínuos em andamento. Esses não são encontros isolados, mas contatos interativos continuados e repetidos. A sugestão é que existe um número mínimo de interações e exposição ao longo do tempo que é necessário para que um senso de comunidade se estabeleça.
7 – Suficiente sentimento humano: Essa preocupação refere-se à sensação subjetiva de contato autêntico com os outros membros das comunidades online. Ela incluiria questões emocionais como revelação, honestidade, apoio recíproco, confiança, expressões de afiliação, e expressões de intenção de serem sociáveis uns com os outros.
8 – Formar redes de relacionamentos pessoais: Essa característica sugere que existe um enredamento social entre os integrantes do grupo, bem como a criação de um senso do grupo como uma coleção distinta desses relacionamentos. Esses relacionamentos podem, e com frequência o fazem, estender-se para além do contexto online a fim de formar outros aspectos das vidas sociais das pessoas.
Nós encontramos padrões da participação comunal autêntica das pessoas em suas comunidades virtuais, as quais nosso texto acompanhará atentamente enquanto explica a conduta da netnografia. A pesquisa e a teoria sobre comunidades online já têm mais de três décadas de história e envolvem todas as ciências sociais. O autodidata percebe as nuances de cada particularidade das ciências, mesmo que não as conheça profundamente.
O espaço social online das comunicações mediadas por computador foi uma vez considerado pobre, frio e igualitário. Contudo, o que se percebe hoje com as comunidades e que além da real possibilidade de haver negócios online e muito entretenimento de baixo custo, a migração das pessoas para o ambiente online tornou-se muito mais forte no mundo todo. O autodidata deve ver as pessoas e pensar se é possível ou necessário criar um método para estudá-las.
Para conhecer as pessoas do universo online podemos fazer: levantamentos, entrevistas, diários, grupos de foco, análise estrutural de redes e etnografia. Compara-se o foco e o âmbito de pesquisa de cada método. Diretrizes centradas em perguntas ajudam o pesquisador a integrar essas abordagens umas com as outras e com a netnografia.
O que deve determinar o método de pesquisa online que o autodidata usa?
1 – Métodos devem sempre ser guiados pelo foco de pesquisa e pelas questões de pesquisa por autodidatas.
2 – Combine o tipo de dados que você precisa com o tipo de questão que está tentando responder, pois, você está no papel de pesquisador autodidata.
3 – Utilize a abordagem metodológica mais adequada para o nível de análise, construtos e tipos de dados, tal como faz um autodidata.
A netnografia adapta os procedimentos etnográficos comuns de observação participante às contingências peculiares da interação social mediada por computador: alteração, acessibilidade, anonimato e arquivamento. Os procedimentos incluem planejamento, entrada, coleta de dados, interpretação e adesão a padrões éticos. Este capítulo explica a natureza e o papel da netnografia, comparando-a com técnicas online e offline e explicando quando e como abordagens etnográficas e netnográficas devem ser associadas. O autodidata se dedica a estudar os pormenores de suas relações.
O autodidata deve então aprender a focar e iniciar seu estudo netnográfico. Como fazer uma busca pelo assunto utilizando o Google pode ser uma maneira de começar a delinear os hábitos virtuais que queremos entender.
Depois, o autodidata refinará essa busca com termos que costumamos usar em pesquisa: dois elementos includentes (pessoas falantes de português e com idade entre 35 a 45 anos) e fatores excludentes (pessoas falantes de outros idiomas e pessoas com idades acima ou abaixo de 35 a 45 anos). Também é digno de nota que podemos também querer investigar uma forma específica de interação, por exemplo, pessoas que participam de chats para relacionamentos conjugais. Deveríamos lançar um questionário para o Google Forms ou seria melhor entrevista-las pessoalmente?
A classificação dos dados passa por submissão analítica baseada em codificação e em interpretação hermenêutica. Muitas vezes é necessário ter um pacote de software de análise dos dados qualitativos também são fornecidas, junto a princípios gerais para o uso de computadores na análise de dados (SPSS é o mais utilizado, mas também o Excel do pacote Office obtém as principais ferramentas).
Todas as ideias pelas quais estamos vendo de maneira formal pela utilização da netnografia podem também ser utilizadas pelo UX (User Experience). Essa profissão em grande ascensão nas empresas é extremamente importante para que seja realizado um design que conduza o cliente a melhor resposta dentro de um ambiente virtual.

3 – O uso da escrita pelo autodidata
A grande vantagem do autodidata com a escrita é utilização de formas escritas não habituais. Será que seria interessante escrever sem a utilização de uma escrita tão impessoal? Ou será que uma escrita pessoal demais atrapalhará esse trabalho? Quanto dessas proporções eu devo dosar para atingir um bom resultado em minha escrita?
Gosto muito da frase magistral de Steven Pinker:
“O modo clássico de escrever, com o pressuposto de igualdade entre o escritor e o leitor, faz com que o leitor se sinta um gênio. A escrita ruim faz com que o leitor se sinta um estúpido.” (Steven Pinker, Guia de Escrita, p. 51)
Portanto, escrever bem é uma dádiva para o seu leitor. Esse fundamento é magistral e creio de grande importância para todos que querem começar a desenvolver uma escrita qualificada ao pensar no seu leitor.
Talvez a escrita seja a atividade que mais precisamos ser autodidatas. Como podemos ter grande conhecimento de nossa linguagem escrita se não nos atrevermos a estudar profundamente em livros e gramáticas, praticando o tempo todo a escrita? O cientista que vai para o laboratório e começa seus experimentos até altas horas da madrugada é o mesmo escritor que se dedica o tempo todo a escrever e reescrever um texto até atingir a forma adequada, com o conteúdo adequado.
Esse caráter de experimento ostensivo com a linguagem escrita é essencial para o autodidata na escrita. Escrever torna-se algo que pode adquirir uma forma mais inteligente de se manifestar, quando já temos as bases bem alicerçadas.
Vamos agora ler atentamente o excerto de Richard Dawkins:
Vamos morrer, e isso faz de nós os premiados pela sorte. A maioria das pessoas nunca vão morrer, porque nunca vão nascer. As pessoas que, por hipótese, poderiam estar aqui no meu lugar, mas que de fato nunca verão a luz do dia, ultrapassam os grãos de areia da Arábia. Certamente, esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores do que Keats, cientistas maiores do que Newton. Sabemos disso porque o conjunto de possíveis pessoas permitidas por nosso DNA excede amplamente o conjunto das pessoas reais. Nas guerras dessas estonteantes probabilidades, somos eu e você, com nossa insignificância, que estamos aqui.
Por que esse texto é bom? Ele é bom porque consegue nos fazer pensar de um jeito diferente sobre algo que costumeiramente não nos damos conta: as pessoas que não chegaram a nascer. Ele faz isso de uma forma muito elegante e inteligente, pois usa palavras simples e metáforas como “ultrapassam os grãos da Arábia”. Essa ideia é extremamente bem utilizada no texto, pois nos dá uma sensação de algo incontável e é bem marcante por ser quantidade de areia de um dos maiores desertos do mundo.
Vamos agora ver excerto de Judith Butler:
A passagem de uma explicação estruturalista em que o capital é entendido como estruturando as relações sociais de maneiras relativamente homólogas para uma concepção de hegemonia em que as relações de poder estão sujeitas à repetição, convergência e rearticulação trouxe a questão da temporalidade para dentro do pensamento sobre a estrutura, e marcou uma mudança desde uma forma de teoria althusseriana que toma as totalidades estruturais como objetos teóricos para uma [forma de teoria] em que as intuições a respeito da possibilidade contingente de estrutura inauguram uma concepção renovada de hegemonia como ligada com os espaços e estratégias contingentes de rearticulação do poder.
Por que esse texto é ruim? A autora traz muitos conceitos que obrigam o leitor a já ter um conhecimento prévio do que ela está se referindo. O leitor precisa conhecer a teoria do “estruturalismo” e a “teoria althusseriana”, por exemplo. Outra consideração muito complicada é a formada por uma frase gigantesca formada por 10 linhas, a qual confunde em demasia o leitor. Essa quantidade de ideias sem uma formalização objetiva da crítica que a autora quer trazer deixa a linguagem completamente esvaziada. O leitor não tem qualquer espaço para sentir e mesmo pensar adequadamente o que a autora debate.
Por isso um autodidata percebe que a definição de valores e sua hierarquia é base de todo o pensamento que busca atingir um nível de coerência. Não se deve escrever sem esses recursos uma vez que eles devem extrair os princípios de sua constituição com clareza através de demonstrações tácitas.
Gostaria de chamar a atenção para a ideia de “escrever bem”. Muitas vezes temos a sensação de que um trabalho deve ser “excelente” ou “espetacular”. Isto é, deve ser mais do que o necessário para a tarefa empreendida. Este é um dos maiores embustes que por vezes caímos sem nos dar conta.
“Escrever bem” precisa estar atrelado a “ler bem” como uma perspectiva, cujo somatório é a palavra SUFICIENTE diante da tarefa empreendida. Este termo garante que a ideia foi passada sem grandes pretensões, mas atingiu sua finalidade com o leitor. Certamente um escritor muito célebre irá lidar com o escrito de uma maneira mais afastada do campo comunicacional ordinário, dirigindo-se a um campo mais simbólico, metafórico, do uso da língua. Mesmo ele deve estar muito atento a como o seu leitor receberá o texto. Coube a literatura é este campo mais complexo da qual muitos autodidatas fomentaram livros brilhantes com o passar dos anos.
Conclusão
Nós trouxemos algumas perspectivas que podem ajudar a pessoa que está escrevendo seu trabalho ou relatório. Ser autodidata é ver uma oportunidade de aprendizagem aonde outros podem sentir desconforto e paralisarem. Há algo no autodidata que o aproxima da figura do empreendedor: ele pode não saber tudo, mas ele deseja investigar e gerar um resultado.
O autodidata é um investigador por natureza. Ele não se contenta com uma forma pré-definida, mas antes cria um processo adequado para investigar seu objeto. Essa investigação o leva impreterivelmente a aprender mais, a encontrar tempo para desenvolver um olhar dedicado sobre aquilo que ele possa pensar e mostrar para o mundo como resultado de sua pesquisa.
Não podemos esquecer que ser autodidata é ter coragem para sustentar uma posição, mesmo que parcial, daquilo que ele dedicou tanto investimento. Ele investiga ampliando sai postura, não se contentando com o que seus pares (as outras pessoas do campo) vão pensar. Os costumes desses pesquisadores mais estabelecidos dificultam e muito pesquisadores outsiders (de fora do campo e da hierarquia estabelecida). O autodidata está, por fim, preocupado e comprometido com a verdade.
Referências:
KOZINETS, Robert. Netnografia: realizando pesquisa etnográfica online. Tradução de Daniel Bueno. Porto Alegre: Penso, 2014.
PINKER, Steven. Guia da escrita: como conceber um texto com clareza, precisão e elegância. Trad. Rodolfo Ilari. São Paulo: Contexto, 2016.
Autor: Estevan Ketzer