Estevan de Negreiros Ketzer  |  Psicólogo Clínico CRP 07/19032

Ideia central do TCC

3 dicas para a ideia central de um TCC

Hoje vamos conversar sobre a ideia central de um TCC. Por que precisamos de uma ideia central bem embasada? Quais são as estratégias que devemos tomar diante a uma ideia central? Ela deve ser simples ou complexa demais? Como podemos deixar uma ideia central mais adequada possível para o TCC? Não podemos esquecer que além dos exemplos a necessidade de uma ideia central deve permear todo o TCC.

  Vejamos alguns critérios para sua validade e significância.

1. Um TCC deve ser simples ou complexo?

A pergunta sobre a complexidade de um TCC diz respeito a maneira particular que temos capacidade para ter coerência em uma ideia em tempo hábil para a sua execução. Uma ideia muito complexa pode exigir muito conhecimento ou metodologias específicas. Portanto, uma boa maneira de lidar com esse fato é refletir se lidar com um TCC mais simples não seria melhor do que com uma ideia muito complexa.

Não seria melhor ao invés de submeter um questionário com perguntas para um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), o que pode demorar muito para ser dada uma resposta, fazer uma pesquisa mais simples, mas mais assertiva? Para o escopo de um TCC o qual muitas vezes só há 6 meses para o projeto e mais 6 meses para sua execução, em se tratando de uma primeira pesquisa de muitos alunos, já muito trabalhoso montar e discutir suas sessões:

A – Referenciais teóricos:

O aluno deve procurar uma teóricos com os quais mantenha alguma afinidade ou apontem para algo a ser investigado. Pode ser muito proveitoso colocar em discussão alguns postulados teóricos com experimentos. Exemplo: casais inférteis tendem a se separar. Precisamos, assim, de estudos sobre psicologia familiar para ampliar o escopo dessa dedução, pois, a teoria sistêmica familiar é que melhor aborda esses processos de vinculação a ideia de família. É necessário conhecer alguns de seus principais autores e também ler as pesquisas mais recentes, dos últimos 5 anos, sobre esse mesmo objeto.

B – Metodologia empregada:

A metodologia precisa estar de acordo com o que se deseja investigar. Talvez seja muito difícil criar um banco de dados em pouco tempo, porém, é possível investigar um banco de dados já existente em algum hospital e delimitar 100 casais a serem investigados sobre as causas da infertilidade desses casais. Aqui temos um exemplo de metodologia quantitativa usada de maneira facilitada no TCC.

Contudo, não precisa ser restrito a uma metodologia quantitativa, podendo esse trabalho ser realizado ao se entrar em contato novamente com alguns desses casais e realizar entrevistas com eles (já é um trabalho suficientemente árduo analisar 5 casais para um TCC). Daí temos uma metodologia qualitativa para nosso trabalho, pois após as entrevistas serão criadas categorias de análise.  

C – Análise dos resultados:

Para uma análise adequada dos resultados é necessário que, após as hipóteses já terem sido testadas, deve-se comparar os diferentes resultados encontrados sobre uma população similar a partir de outros estudos publicados. Isso exige o estudo de outros artigos que também pesquisaram esse mesmo objeto ao redor do mundo. Como esses resultados deram essa quantia e qual a hipótese mais plausível para eles? Em média de três estudos para cada categoria analisada já é uma boa forma de sustentar uma análise bem qualificada para um TCC.

2. Lidar com o tempo de pesquisa e com seus dados em um TCC

Quando começamos a investigar algumas ideias gerais para ver se elas podem fazer parte de um TCC estamos já começando a usar o pensamento ao nosso favor. Em qual sentido isso é válido? A investigação de uma ideia requer o conhecimento de sua conjuntura e as possibilidades de realizar uma pesquisa com uma limitação de tempo.

Ninguém pode pesquisar um tema que exija conhecimentos ou métodos, cuja a sua duração é exageradamente grande para a execução da pesquisa e seus resultados externalizados no TCC. Portanto, o tema do TCC tem de estar alinhado com conhecimentos e métodos firmemente delimitados com a capacidade do aluno.

Um bom exemplo disso é quando queremos fazer entrevistas para o TCC. Entrevistas são um bom método para conhecer uma população? Sim! Contudo, as entrevistas devem passar por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). A utilização do CEP é inteiramente importante para prever danos possíveis a integridade física e psicológica dos entrevistados. Isso pode ser previsto pelo orientador junto ao aluno, porém, quando o assunto é diretamente ligado a pessoas, pode ser difícil para um orientador conhecer os meandros que envolvem a responsabilidade da pesquisa no TCC.

Por exemplo, o CEP pode pedir os detalhes sobre a aplicação do questionário e o sobre o uso das informações que estão contidas ali. A própria forma de entrelaçamento dos dados pode ser um problema. Quando comparamos dados não paramétricos, isto é, dados que não possuem uma curva de distribuição normal, mas são comparados através de maiores variáveis, é extremamente necessário indicarmos como estamos fazendo isso e darmos ao comitê uma previsão já escalonada do que esses dados trarão.

Chamamos de backtesting quando desejamos fazer uma avaliação comparativa de dados já utilizamos em operações matemáticas, como vemos na análise de candles (velas) estatísticos na bolsa de valores. Contudo, podemos ter resultados parciais de nossas entrevistas e passar ao CEP como forma de referência para esta já ser objeto de análise para a validação do TCC. Inclusive, podemos fazer isso já como teste de hipóteses a partir das variáveis.

Portanto, se temos pouco tempo pode ser uma tarefa muito árdua inserirmos um questionário que não seja suficientemente bem avaliado. Por outro lado, posso utilizar bases de dados de outros grupos para pensar em certas comparações de dados dos entrevistados. Se os dados desses grupos já passaram por uma avaliação do CEP é um passo importante para diminuir a incidência de problemas encontrados pelo CEP. Esse encurtamento do caminho pode levar a pesquisa a ter mais fluidez para o aluno.

3. Examinar a afinidade do aluno com a ideia central do TCC

O quanto você gosta dessa ideia para ser ela o centro do seu trabalho? Sem afinidade o trabalho fica mais difícil de ser elaborado. A afinidade advém de um importante gesto de interesse por parte do aluno em busca de conhecimento. Ultimamente temos visto como a educação pública está desconectada do interesse dos alunos.

Por que se deve fazer isso? O que me motiva para uma pesquisa? Acho que não sou pesquisador, não sou bom o bastante… E todos esses pensamentos tornam-se reais aspectos da vida do aluno, cujo escopo entrava a realização do TCC.

Um TCC só pode ser escrito e desenvolvido do início ao fim se houver interesse e motivação por parte do aluno. Essa falta de entendimento pode ser muitas vezes a grande trava no processo de sua realização. O aluno faz para agradar algum orientador? Ele faz porque se sente obrigado (o que é fato para muitos cursos superiores)? O quanto dessa obrigação precisa de transformação para ser um conhecimento adquirido para a vida do aluno? E nessa última pergunta eu gostaria de me estender um pouco mais.

 O TCC é uma forma mais aperfeiçoada de dirigir os conhecimentos do aluno para um trabalho com delimitações científicas stricto sensu. Quando o termo strictu sensu é escrito, isso significa que é dentro das bases daquilo que é cientificamente viável de ser comunicado. É claro que cada área terá mais afinidade com certos métodos e teorias do que outras. Essa noção é de extrema importância, pois não é porque se valoriza mais uma área que se deve desprezar outras. No entanto, a investigação de novas áreas demora tempo, talvez mais do que o necessário para o escopo de um TCC.

A escrita de um TCC mostra como um conhecimento é desenvolvido de algum jeito. Isso é, o conhecimento parte de um ponto de pouca informação para um ponto de muita informação ou informações suficientes para aquele experimento. Isso não quer dizer que um artigo que se detenha sobre uma interpretação teórica não seja científico. A forma de trazer clareza ao conhecimento foi escolhida a partir de uma metodologia hermenêutica, típica da filosofia e das ciências humanas. A maneira de observar sua complexidade e relevância vem também de um estudo paulatinamente maior das referências utilizadas pelo autor do trabalho.

Com isso estou mostrando o quanto podem ser realizadas pesquisas em diferentes domínios, desde que haja anuência do orientador quanto a forma de investigação utilizada. Também estou mostrando aqui a importância da flexibilidade para a investigação do aluno. O método qualitativo pode assustar alguns, enquanto o método quantitativo pode assustar a outros. E isso não é um problema, mas deve ser considerado como relevante para os desenvolvimentos dos alunos na hora da escrita do TCC.

Caso essa afinidade não seja estabelecida, o TCC pode sofrer dificuldades na hora da sua realização. Os alunos terão muita dificuldade se não houver uma flexibilidade dos orientadores. Uma postura de aprendizagem colaborativa também é muito bem-vinda. O orientador precisa de entendimento sobre o tema do TCC e as implicações metodológicas dele. Caso contrário, quando há um afastamento muito grande, o aluno se sente completamente perdido e acaba por vezes paralisado.

Considerações Finais:

Nosso comentário buscou mostrar como a ideia central precisa ser o carro chefe do TCC. Sem ela não há continuidade entre todas as partes. Inclusive, ela precisa de olhar constante, pois o aluno não deve tergiversar o tema do TCC. Caso o faça, haverá problemas graves na realização de suas ideias, as quais atrapalharão o desenvolvimento das outras seções do texto.

Não abordamos aqui o quanto hoje em dia a extensão dos TCCs também reduziu de tamanho. Cada vez é mais solicitada a sua feitura na forma de artigo científico, a qual traz de modo sintetizado todos os elementos que devem constar na monografia. Essa ideia de síntese é boa por um lado e ruim por outra. Ela é boa quando, pois, pode ser escrita em poucas páginas; ela é ruim quando se possui justamente uma dificuldade em obter clareza de todos os aspectos da investigação em um curto espaço de tempo.

Enfim, foi nosso intuito trazer de maneira leve e adequada como pode ser importante utilizar os serviços de consultoria acadêmica para facilitar essa etapa de realização do TCC. Há muitas dificuldades e é muito comum o abandono dos orientadores na hora da realização dos TCCs dos alunos. Isso é assustador para os alunos, mas infelizmente é o que resulta uma prática inadequada de muitos professores das mais diferentes redes de ensino. O TCC é um trabalho apenas, entre muitos que o aluno possa vir a ter durante a sua vida como profissional. Portanto, sua defesa pode ser entendida como uma etapa preparatória para outras etapas de sua vida.

Referências:

Anselm Strauss & Juliet Corbin – Pesquisa Qualitativa

Uwe Flick – Introdução à pesquisa qualitativa

Autor: Estevan Ketzer

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